30 dezembro, 2008

Impressionado

Talvez a grande descoberta que temos de fazer em nossa existência e saber para que serve a vida. Será que vivemos sem nos dar conta do que deixamos de fazer, de sentir , de olhar, de cheirar e de saber se realmente existimos.
Pois é, mais um ano se vai, nascem muitas pessoas, outras muitas morrem, e nós não conseguimos descobrir o significado de nossa existência.

Quando vi na televisão pessoas comemorando o Natal, fiquei impressionado com a alegria com que as pessoas deliciavam-se com a mais cara champagne, com petiscos maravilhosos e suas roupas extravagantes, uma luxuria total, enquanto que o real espírito de natal estava de lado, e o de nossa existência também. Será que existimos por apenas existir, ou temos uma importância mais além de usufruir bens, desfilar roupas, e as extravagâncias do consumismo.

Afinal, qual o significado da nossa existência? Fico impressionado com a valorização dos rituais, dos simbolismos com que as pessoas tem por um momento de transição, e de passagem. Quando saí na rua ontem, vi crianças pedindo e outras doando presentes para crianças que estavam na rua. Minha filha me fez uma pergunta: pai, porque Papai Noel não entrega o presente na casa delas? Sem resposta, fiquei em silêncio.

03 dezembro, 2008

Quando da fundação do partido dos Bolcheviques

A necessidade, neste momento político impar pelo qual passa a nação, em especial o momento em que vive os modelos partidários, torna-se necessário a experiência e os ensinamentos adquiridos pelos camaradas que efetivamente puseram em prática o modelo, por nós endossado, de organização de massas. Trago à discussão trechos de uma obra básica que considero adequada e de relevante expressão para orientar uma organização política partidária.


Começamos:


"A força do povo e as suas capacidades criadoras multiplicam-se quando têm um guia, o partido revolucionário, que conhece as leis do desenvolvimento da sociedade." Os trabalhadores conscientes sabem que não precisam de um partido de reformas, mas sim de um partido de ação revolucionária. Devemos esclarecer à classe trabalhadora o seu verdadeiro papel na sociedade como criadores de todos os seus valores materiais e, em, parte considerável, dos valores espirituais, como criadores do processo histórico, armá-los com o conhecimento das leis da luta de classes, formar a consciência e a organização na sua luta espontânea e, frequentemente, dispersa e espraiar este conhecimento por todos os recantos do Brasil.


Para cumprir esta tarefa, devemos demonstrar, que é realmente a vanguarda da classe trabalhadora, ou seja, o seu destacamento mais consciente e organizado que está à frente da classe trabalhadora na sua luta revolucionária de classe. É fácil declarar-se vanguarda. Mas muitos esforços, energias e abnegação devem ser empregado pelas coordenações de nossa tendência para que os trabalhadores, os transformadores sociais enxergue nela a sua vanguarda, a sua dirigente. A criação de uma sociedade sem classes, sem exploração, não resulta do desenvolvimento espontâneo, mas da atividade consciente dos homens e mulheres dirigida pelo partido e suas tendências internas.


Quando da fundação do partido dos bolcheviques (comunista), Lénin lutou, decisivamente, para que o partido fosse uma organização unida ao máximo, respondesse por cada um de seus membros e, por sua vez, cada membro do partido respondesse perante o partido, trabalhasse numa das suas organizações e sob o seu controle. Manifestaram-se então contra isto todas as correntes oportunistas representadas no Congresso, correntes que constituíram o núcleo do menchevismo, a social-democracia de modelo ocidental. Já então, lutando contra a idéia leninista sobre a unidade orgânica do partido, os mencheviques avançaram com os mesmos argumentos que utilizam os oportunistas de hoje. Afirmam que a disciplina rigorosa, a submissão da minoria à maioria, o caráter obrigatório das resoluções dos organismos superiores do partido para todas as suas organizações e membros afetam a autonomia das organizações, a democracia e a liberdade pessoal do membro do partido. O oportunista brinca ao revolucionário à vontade, se isto não lhe impõe obrigações ou restrições. Sim, o partido e suas tendências internas são uma união voluntária, mas os seus membros assumem voluntariamente determinados deveres e, entre eles, o dever de respeitar as exigências do Programa e os Estatutos do partido e da tendência a qual pertence. Os Estatutos definem os princípios da estrutura do partido e o mesmo vale para a nossa tendência, as normas de sua vida interna, os métodos de atividade das organizações do partido, os direitos e os deveres de comunistas, incluindo o dever de cumprir com precisão e rapidez as resoluções dos organismos do partido. E é assim também que deve funcionar.


Poderia ser membro do PCUS todo o cidadão da União Soviética que aceitava o programa e os Estatutos do partido, que participe ativamente na construção do comunismo, milite numa das organizações do partido, cumpra as decisões do partido e pague a cota estabelecida.
A definição de filiação no partido foi apresentada por Lénin já no II Congresso do partido. O famoso parágrafo I dos Estatutos formulado por Lénin dizia: "Considera-se membro do partido todo aquele que aceite o seu programa e ajude o partido tanto com recursos materiais, como participando pessoalmente numa das suas organizações". Para ser comunista não basta, evidentemente, declarar aceitar o Programa do Partido. As palavras e os atos de um autêntico comunista não devem discordar. Tendo aceitado o programa do partido, ele é obrigado a lutar pela sua concretização. É isto que prevê a Segunda condição leninista: pode ser membro do partido aquele que milite numa das suas organizações e se subordine às suas decisões.


Este ponto dos Estatutos sublinha que o membro do partido é, antes de mais, um combatente sempre pronto a cumprir qualquer tarefa da sua organização.


A terceira condição: a ajuda com recursos materiais, é tão obrigatória como as duas primeiras. O partido comunista é uma organização voluntária, na qual todos os membros participam em conjunto em todos os seus feitos. Os fundos do partido provêm principalmente da cotização dos seus membros e, cada comunista, pagando pessoalmente a sua cota ajuda assim o partido. O pagamento das cotas é uma questão de princípio, apesar de ser a obrigação mais simples do comunista. Ora, se cumprir com negligência esta obrigação, não haverá certeza de que cumprirá, devidamente, qualquer tarefa mais complexa. Na URSS as cotas mensais dependiam do salário.O caso do comunista, que não pagava as cotas sem justa causa no decurso de três meses, examinava-se na organização de base. Se evidenciava-se, que o comunista praticamente perdera a ligação com a organização do partido, era considerado desfiliado do partido.


O nível ideológico do homem e da mulher verifica-se pelos seus atos, não pela sua capacidade de fundamentar teoricamente o princípio de que os interesses sociais devem estar acima dos pessoais, mas pela aplicação deste princípio na prática." https://www.marxists.org/portugues/tematica/livros/historia/index.htm

26 novembro, 2008

Guerra Civil Colombiana

A guerra civil na Colômbia permanece pouco conhecida pelo povo brasileiro, apesar das trágicas consequências para a população deste país nos últimos 50 anos. A imprensa nacional e internacional costuma tratar o conflito como uma questão de ordem policial, descrevendo-o como um duelo entre o Estado colombiano e guerrilheiros envolvidos com o narcotráfico. Essa versão simplista ignora elementos essenciais para compreender a complexidade da problemática.

Historicamente, o surgimento da guerrilha ocorreu muito antes de a Colômbia se tornar uma grande produtora de pasta de coca e formar grandes cartéis de narcotraficantes. Estes criminosos surgiram posteriormente, quando a oligarquia colombiana não tinha mais forças para derrotar a guerrilha pelos meios convencionais, como forças policiais e militares. A elite, então, viu na atividade ilegal do narcotráfico uma forma de financiar a organização de tropas irregulares — os grupos paramilitares — conhecidos pela extrema violência com que agem contra a população.

No cenário da guerra civil colombiana, uma grande aliança reúne a maior parte das classes dominantes locais (latifundiários, empresários de diversos setores, representantes do capital internacional), segmentos das camadas médias urbanas, militares, políticos, paramilitares e narcotraficantes. Sobre o ex-presidente Álvaro Uribe pesam fortes suspeitas de envolvimento com o narcotráfico, especialmente com Pablo Escobar, chefe do cartel de Medellín, morto em 1993, e com grupos paramilitares de extrema direita.

Do outro lado do conflito estão as guerrilhas de esquerda, apoiadas majoritariamente pelas periferias urbanas, camponeses pobres e povos da floresta. É fundamental adotar uma visão crítica, mas realista, dessa guerra que acontece ao nosso lado. A mídia, muitas vezes atrelada a interesses do capital internacional, não mostra essa realidade. Na Colômbia, nossos irmãos latino-americanos vivem um verdadeiro estado de guerra.

Acrizio Galdez é formado em Ciências Políticas pela Universidad de La Generalitad de Cataluña.

05 novembro, 2008

20 anos da Constituição

Em 5 de novembro de 2008, o Congresso reuniu-se para comemorar os 20 anos da promulgação da oitava Constituição brasileira. Como tudo no Brasil acontece com atraso, a comemoração ocorreu um mês após o aniversário. Para relembrar, a Constituição Federal foi promulgada em 5 de outubro de 1988.

O ano de 1988 antecedeu a queda do Muro de Berlim, marco da derrocada dos países socialistas. No Brasil, ressurgiam esperanças e brotavam incertezas para uma geração que, como as anteriores, aspirava a um país livre e soberano, mas sem muitas expectativas, pois a Assembleia Nacional Constituinte não foi eleita especificamente para esse fim.

O acordo entre as elites determinou delegar temporariamente poderes constituintes ao Congresso Nacional, com a participação de senadores “biônicos”. Em um esforço extraordinário, a grande meta era implantar um Estado Democrático, após 25 anos de regime militar e quase 12 anos de abertura lenta e gradual.

O resultado foi um texto extenso e detalhista – apelidado de “Constituição Cidadã” –, que refletia um utopismo bem-intencionado, embora delirante em alguns aspectos. Ainda assim, demonstrou a virtude de espelhar a reconquista das liberdades públicas, superando o viés autoritário que se impusera ao país.

Em meio à heterogeneidade da sociedade, o novo texto constitucional surgiu em clima de apoteose cívica, incorporando interesses variados que resultaram em um projeto marcado pelo corporativismo, ideal socialista, estatismo, paternalismo, assistencialismo e fiscalismo.

Vinte anos depois, 56 emendas alteraram a magna carta, mais de duas por ano. A constituição foi construída sob o argumento de que deveria incluir programas para garantir a efetividade dos direitos. Oxalá, ao ser alterada, a Carta de 1988 tivesse sido plenamente implementada, garantindo a verdadeira cidadania propagada em sua promulgação, especialmente no artigo 6º, que define como direitos sociais a educação, saúde, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância, e assistência aos desamparados. Aliás, essa parte precisou ser emendada. Hoje, vivemos o dilema da falta de aplicabilidade plena da “Constituição Cidadã”.

28 outubro, 2008

Um sonho de liberdade.


No extremo norte deste país continental, tive a feliz oportunidade de presenciar uma das campanhas eleitorais mais vibrantes que já vi. O sol reinava nas ruas quando chegou a triste notícia: o estandarte mais visível da democracia em Macapá fora destruído, um atentado brutal ao direito à cidadania.

Não pude deixar de sentir empatia por um povo que respirava a possibilidade de romper com anos de divisão entre liberdade e autoritarismo — a mesma que avôs e pais mantiveram viva, enfrentando os tempos sombrios para garantir um futuro de dignidade. Muitos defenderam a democracia e as liberdades; muitos tentaram sustentar o clientelismo e a corrupção de um estado ainda sob o domínio de um senhor.

De um lado, o senhor do Amapá, um certo senador, viu-se atônito diante da mobilização popular. Foi preciso sair de seu castelo para tentar comprar o direito daqueles que sonhavam com um futuro melhor. A cada bandeira da liberdade, uma pilha de dinheiro; a cada esperança, uma tentativa de silenciar.

A força totalitária não poupou esforços: máquina pública, poderes reinantes, todos mobilizados para conter uma coluna que marchava firme rumo à liberdade. A coerção era visível, aviltante, sem escrúpulo algum.

No outro lado, a força do povo. Nas ruas e comícios, germinava uma semente de esperança. Crianças, homens e mulheres sabiam que ali se escrevia uma nova página da história. A mudança podia ser vista nos rostos jovens, iluminados pelo amarelo da esperança refletindo os dias de sol.

Homens e mulheres, crianças e idosos, todos que acreditaram na transformação, mostraram que é possível resistir. Os senhores do poder podem comprar votos e bandeiras, mas jamais nossa consciência ou nossa liberdade. Porque somos socialistas. Porque somos livres.

14 setembro, 2007

Ali Lulá e os 40 ladrões

Há pouco tempo, descobriu-se o reino onde vive Ali Lulá. Neste reino, ele ganha a vida editando medidas provisórias e pagando mensalões.

Uma tarde, ao voltar para casa, Ali Lulá se deparou com uma cena impressionante: uma longa caravana de quarenta homens carregava grandes pacotes, envelopes e muito dinheiro, escondido até nas cuecas. Antes que pudesse reagir, o chefe se aproximou gritando:
— Você não viu nada!

Por um estranho milagre, os quarenta homens foram denunciados pelos próprios aliados. Mas, novamente, o chefe gritou para Ali Lulá:
— Você não viu nada!

A partir daquele momento, Ali Lulá, mesmo conhecendo todos os detalhes e sabendo de tudo, passou a obedecer: repetia sempre, com firmeza, a frase que se tornaria seu mantra:
— Eu não vi nada.

Os quarenta ladrões fugiram, escondendo-se por algum tempo, alguns retornando à caverna onde repousava o grande tesouro. Ali, aprovar emendas no orçamento e influenciar decisões de interesse pessoal era rotina.

Quando parecia que tudo fora esquecido, a suprema corte indiciou os quarenta ladrões por corrupção, peculato, evasão de divisas e outros crimes. Mas eles não se contentaram: recrutaram mais quarenta aliados, escondidos na mesma caverna, protegendo seus segredos. Somente os quarenta ladrões e Ali Babá tinham acesso àquele lugar. Ali Lulá, obediente, partiu para outro reino, como sempre instruído pelo chefe.

Dentro da caverna, um dos líderes exclamou:
— Fecha-te, Sésamo!

A porta se fechou e eles permaneceram lá por longas horas. Ninguém jamais soube exatamente o que ocorreu dentro da caverna, mas, quando finalmente a porta se abriu, tudo continuava como antes. Os ladrões mostravam, mais uma vez, sua eficiência e poder.

E no reino de Ali Lulá, ele repetia com convicção:
— Eu não sei de nada. Eu não vi nada.


04 setembro, 2007

O Sol é a estrela mais póxima de nós

No universo, existem inúmeras estrelas distantes, mas a realidade nos aproxima de uma que nos dá luz e vida. Vivemos num planeta onde a luz é a principal fonte de existência. Desde o nascimento do PSOL – Partido Socialismo e Liberdade – parece que alguns conceitos fundamentais foram recuperados. Aliás, os visionários do partido buscam construir uma sociedade pautada na ética e na dignidade.

Resgatar o sonho que foi roubado de milhões de brasileiros talvez seja o maior desafio do partido. Um sonho de liberdade, ética e responsabilidade, voltado para a construção de uma sociedade mais solidária e fraterna. Como em toda iniciativa que nasce dos anseios de uma comunidade de sonhadores.

O PSOL protagonizou um momento importante de reflexão sobre o Parlamento, buscando resgatar a ética na política. A luta incessante pelo fortalecimento da representação parlamentar e pelo resgate da confiança da população na política como instrumento de transformação social deve permanecer como uma de suas principais bandeiras. A perseverança de seus deputados no Parlamento mostra que é possível resistir e enfrentar os arcabouços do poder. Pequeno, mas notável, o PSOL demonstra que a luta continua e que o sonho não acabou.

O Sol, estrela mais próxima da Terra, é legítimo em sua grandeza e em sua capacidade de iluminar os caminhos de quem busca, nas estrelas, aquilo que parece impossível de transformar. O Sol nasce para todos e brilha com luz própria.


    Esta bandeira também é minha porque Sepé Tiarajú defendeu seu povo contra a colonização dos espanhóis e portugueses. Esta bandeira é mi...