28 outubro, 2008

Um sonho de liberdade.


No extremo norte deste país continental, tive a feliz oportunidade de presenciar uma das campanhas eleitorais mais vibrantes que já vi. O sol reinava nas ruas quando chegou a triste notícia: o estandarte mais visível da democracia em Macapá fora destruído, um atentado brutal ao direito à cidadania.

Não pude deixar de sentir empatia por um povo que respirava a possibilidade de romper com anos de divisão entre liberdade e autoritarismo — a mesma que avôs e pais mantiveram viva, enfrentando os tempos sombrios para garantir um futuro de dignidade. Muitos defenderam a democracia e as liberdades; muitos tentaram sustentar o clientelismo e a corrupção de um estado ainda sob o domínio de um senhor.

De um lado, o senhor do Amapá, um certo senador, viu-se atônito diante da mobilização popular. Foi preciso sair de seu castelo para tentar comprar o direito daqueles que sonhavam com um futuro melhor. A cada bandeira da liberdade, uma pilha de dinheiro; a cada esperança, uma tentativa de silenciar.

A força totalitária não poupou esforços: máquina pública, poderes reinantes, todos mobilizados para conter uma coluna que marchava firme rumo à liberdade. A coerção era visível, aviltante, sem escrúpulo algum.

No outro lado, a força do povo. Nas ruas e comícios, germinava uma semente de esperança. Crianças, homens e mulheres sabiam que ali se escrevia uma nova página da história. A mudança podia ser vista nos rostos jovens, iluminados pelo amarelo da esperança refletindo os dias de sol.

Homens e mulheres, crianças e idosos, todos que acreditaram na transformação, mostraram que é possível resistir. Os senhores do poder podem comprar votos e bandeiras, mas jamais nossa consciência ou nossa liberdade. Porque somos socialistas. Porque somos livres.

14 setembro, 2007

Ali Lulá e os 40 ladrões

Há pouco tempo, descobriu-se o reino onde vive Ali Lulá. Neste reino, ele ganha a vida editando medidas provisórias e pagando mensalões.

Uma tarde, ao voltar para casa, Ali Lulá se deparou com uma cena impressionante: uma longa caravana de quarenta homens carregava grandes pacotes, envelopes e muito dinheiro, escondido até nas cuecas. Antes que pudesse reagir, o chefe se aproximou gritando:
— Você não viu nada!

Por um estranho milagre, os quarenta homens foram denunciados pelos próprios aliados. Mas, novamente, o chefe gritou para Ali Lulá:
— Você não viu nada!

A partir daquele momento, Ali Lulá, mesmo conhecendo todos os detalhes e sabendo de tudo, passou a obedecer: repetia sempre, com firmeza, a frase que se tornaria seu mantra:
— Eu não vi nada.

Os quarenta ladrões fugiram, escondendo-se por algum tempo, alguns retornando à caverna onde repousava o grande tesouro. Ali, aprovar emendas no orçamento e influenciar decisões de interesse pessoal era rotina.

Quando parecia que tudo fora esquecido, a suprema corte indiciou os quarenta ladrões por corrupção, peculato, evasão de divisas e outros crimes. Mas eles não se contentaram: recrutaram mais quarenta aliados, escondidos na mesma caverna, protegendo seus segredos. Somente os quarenta ladrões e Ali Babá tinham acesso àquele lugar. Ali Lulá, obediente, partiu para outro reino, como sempre instruído pelo chefe.

Dentro da caverna, um dos líderes exclamou:
— Fecha-te, Sésamo!

A porta se fechou e eles permaneceram lá por longas horas. Ninguém jamais soube exatamente o que ocorreu dentro da caverna, mas, quando finalmente a porta se abriu, tudo continuava como antes. Os ladrões mostravam, mais uma vez, sua eficiência e poder.

E no reino de Ali Lulá, ele repetia com convicção:
— Eu não sei de nada. Eu não vi nada.


04 setembro, 2007

O Sol é a estrela mais póxima de nós

No universo, existem inúmeras estrelas distantes, mas a realidade nos aproxima de uma que nos dá luz e vida. Vivemos num planeta onde a luz é a principal fonte de existência. Desde o nascimento do PSOL – Partido Socialismo e Liberdade – parece que alguns conceitos fundamentais foram recuperados. Aliás, os visionários do partido buscam construir uma sociedade pautada na ética e na dignidade.

Resgatar o sonho que foi roubado de milhões de brasileiros talvez seja o maior desafio do partido. Um sonho de liberdade, ética e responsabilidade, voltado para a construção de uma sociedade mais solidária e fraterna. Como em toda iniciativa que nasce dos anseios de uma comunidade de sonhadores.

O PSOL protagonizou um momento importante de reflexão sobre o Parlamento, buscando resgatar a ética na política. A luta incessante pelo fortalecimento da representação parlamentar e pelo resgate da confiança da população na política como instrumento de transformação social deve permanecer como uma de suas principais bandeiras. A perseverança de seus deputados no Parlamento mostra que é possível resistir e enfrentar os arcabouços do poder. Pequeno, mas notável, o PSOL demonstra que a luta continua e que o sonho não acabou.

O Sol, estrela mais próxima da Terra, é legítimo em sua grandeza e em sua capacidade de iluminar os caminhos de quem busca, nas estrelas, aquilo que parece impossível de transformar. O Sol nasce para todos e brilha com luz própria.


03 setembro, 2007

Os Intocáveis

O Partido dos Trabalhadores realizou seu Congresso neste final de semana (01/09/2007), mas, aparentemente, nada mudou. As bases, tão valorizadas pelo presidente Lula, mais uma vez parecem ter sido manipuladas pela direção petista, liderada pelo próprio comandante do partido. O destaque acabou ficando por conta do subcomandante, que atuou nos bastidores, demonstrando sua influência mesmo enquanto figura no banco dos réus.

O debate mais acalorado no congresso foi a busca pelo poder. A principal questão discutida parecia ser a fórmula de como se perpetuar no comando do partido. Uma das estratégias apontadas teria sido ceder espaços para partidos aliados, menos éticos que o PT, mas úteis para manter o governo a partir de 2011.

O poder a qualquer custo, como se sabe, custa caro. Surpreende ainda mais a afirmação do presidente Lula de que o PT é o partido mais ético de todos e que ele não percebeu irregularidades. Essa soberba contrasta com os escândalos que mancharam a reputação do partido, incluindo o mensalão, no qual sonhos de milhares de brasileiros foram negociados em nome do poder.

Outro ponto discutido foi a criação de uma corregedoria do PT. Surge então a pergunta: se o partido é tão ético, por que precisa de uma corregedoria? Se deputados envolvidos em irregularidades foram enquadrados pela Câmara e réus pelo STF por crimes como formação de quadrilha e peculato, o que mais seria necessário para demonstrar falta de ética? Para o PT, aparentemente, nada disso importa, pois se consideram intocáveis.


28 agosto, 2006

Beco com saída

O mundo vive uma situação, no mínimo, interessante: Plutão, que até ontem era considerado um planeta, não é mais; as cataratas de Foz do Iguaçu estão secas; no Nordeste brasileiro, há enchentes; e Israel dizima o povo palestino, mesmo depois de ter vivido o Holocausto.

Que mundo interessante esse nosso! Há mais tecnologia, internet, wireless, medicamentos avançados, uma superprodução de alimentos… e, ao mesmo tempo, milhões de pessoas passam fome.

Muitos percebem os avanços e as atrocidades do mundo, mas a humanidade caminha a passos lentos e não percebe o que está fazendo, como se cada um de nós não fosse responsável. Afinal, os outros são sempre os culpados; nós não temos nada a ver com isso. E essas situações passam despercebidas porque estamos ocupados com nossos próprios objetivos: estudar, ter um bom emprego, tomar aquela cervejinha no fim da tarde, juntar dinheiro para a viagem dos sonhos.

Afinal, todos os problemas da humanidade parecem não nos atingir. E, quando nos atingem, passam de raspão. Vivemos em um país sem guerras, sem terremotos, sem furacões. Esse egoísmo inerente ao ser humano contaminou a humanidade.

Essa epidemia de egoísmo só tem um remédio: a solidariedade humana.

18 agosto, 2006

O porteiro intelectual

Conheço muitos intelectuais, acadêmicos e pessoas amantes da boa leitura. Na minha atividade profissional, é necessário estar bem informado sobre os acontecimentos, ler e reler constantemente; só assim podemos avaliar a sociedade e refletir sobre os modelos sociais e políticos. Claro que não pretendo transformar este texto em uma expressão teórica ou científica — perderia a essência e o objetivo desta página. Aqui é o espaço para expressarmos nossas impertinências, buscando no senso comum a relativização necessária para compreender o comportamento humano. O ser humano, independentemente da escolaridade, produz conhecimento a partir de sua vivência e busca nos livros um aprofundamento.

Outro dia, batendo um papo com o porteiro do meu edifício sobre assuntos relacionados ao seu trabalho, fiz várias perguntas — aquelas óbvias, mas fundamentais para um bom relacionamento. Sabem como é: a famosa política de boa vizinhança. Indaguei-o sobre diversos aspectos: qual o horário que trabalha? Onde mora? Se estudava?

Nas várias conversas que tivemos, percebi um discurso afinado, palavras articuladas e profunda reflexão. Perguntei se gostava de ler. Ele prontamente respondeu: “Claro, doutor.” — “E que tipo de leitura?” — “Todas”, disse o jovem, “mas principalmente Maquiavel e Gramsci.” Não parei por aí e continuei com as perguntas.

O jovem, plenamente à vontade, começou a falar sobre Opus Dei e O Código Da Vinci, como se os livros estivessem à sua frente. Fiquei perplexo com tamanha intimidade com a literatura. Afinal, não é todo dia que encontramos um intelectual. Quando os encontramos, geralmente estão na academia ou na televisão. A definição de intelectual costuma pressupor que a pessoa tenha frequentado os bancos acadêmicos, produzindo várias teses. Fiquei impressionado ao perceber que a escola da vida é, muitas vezes, a mais importante, e o conhecimento acadêmico apenas aprimora a intelectualidade. Sem dúvida, estava diante de um verdadeiro “intelectual”, que profissionalmente exercia a função de porteiro.

Onde estão as armas de destruição em massa?

Essa é a pergunta que inquieta milhões de pessoas em todo o mundo — embora a resposta pareça cada vez mais clara: talvez nunca tenham existido. Durante meses, especialistas da ONU vasculharam cada canto do Iraque, sem encontrar nada. A tecnologia americana avançada, utilizada em ataques durante mais de vinte dias, também não deu pistas. Então, cadê as armas?

Enquanto isso, o bombardeio anglo-americano não atingiu os alvos que buscava: puniram inocentes. Milhares de crianças iraquianas estão agora à mercê de fome, doenças e falta de água. Muitas morrerão sem jamais entender o porquê.

A justificativa da guerra, tão propagada pelos EUA, perdeu toda credibilidade. E a pergunta que não quer calar: não seria hora do exército iraquiano usar essas “armas de destruição em massa” que todos temiam para se defender?

Aparentemente, a estratégia foi outra. A vitória americana parecia inevitável, graças a mísseis “cirúrgicos” e tecnologia de ponta. Mas as verdadeiras armas de destruição em massa — a violência, o medo, o poder — ficaram com os que atacaram.

Talvez, ironicamente, elas não estivessem no Iraque. Talvez estejam bem mais perto: nos EUA e na Inglaterra.

    Esta bandeira também é minha porque Sepé Tiarajú defendeu seu povo contra a colonização dos espanhóis e portugueses. Esta bandeira é mi...